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sábado, 2 de maio de 2015

Ouvido numa livraria

Conversa #1

- Tem o livro "Ruas de Sintra" de Eça de Queiróz?

Momento de silêncio entre livreiro e cliente até que o livreiro se dirige ao computador numa falsa esperança de descobrir esse título no sistema quando salta um companheiro de luta nestas andanças e diz do alto da sua sabedoria:
- "O Mistério da Estrada de Sintra", será esse livro?

Um momento com um final feliz, cliente vai embora com livro entre mãos pois terá que o ler para um trabalho...


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ouvido numa livraria


Juro que no meu dia-a-dia me cruzo com pessoas que nunca abriram um livro na vida e que ficam pasmadas com a quantidade de temáticas que são publicadas em livro. E eu fico pasmada com tamanha pequenez de espírito.

Conversa #1
- Tem livros que falem sobre pontos específicos dos pés para fazer massagens?
- Humm, está a falar de reflexologia?
- Não sei bem...

[Se não sabem bem o que procuram façam uma breve pesquisa antes de sair de casa. Fiquem já a saber que vão ser comentados mal saim dali]


Conversa #2
Três miúdas com uns 17 ou 18 anos aproximam-se do balcão e perguntam:
- Têm Kama Sutras?
-Sim, quer vê-los?
Ao que uma grita para a amiga que está mais atrás:
-Ouviste? Têm Kama Sutras!
Resposta acompanhada com um esgar envergonhado:
- Eeeeeeu? Não quero ver esses livros

(Acabo por leva-las à estante correspondente a sexualidade e deixo-as sozinhas no meio de risinhos envergonhados, passado uns 15 minutos cada uma delas sai com um livro cheio de imagens pormenorizadas e a mais envergionhada tenta seconder o saco com dois livrinhos pequenos dentro do bolso interior do casaco e comenta que se a mãe descobre é capaz de se chatear e que não tem onde escondê-los)

sábado, 15 de novembro de 2014

Ouvido numa livraria

Conversa #1

Tem o último livro do Daniel Sepúlveda?
- Quer dizer Luis Sepúlveda?
- Sim...
- Ele está ali de frente naquela estante

A cliente vai dirige-se à estante, pára durante alguns segundos, pega num livro e dirige-se ao balcão. Trazia nas mãos um livro de Daniel Silva... (Tudo a ver :D)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Pergunta da praxe...

Quem é que adivinha qual é a pergunta da praxe quando estamos a fazer embrulhos?
- Já tirou o preço?

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Ouvido numa livraria


Conversa #1

- Tem o livro "Mar me Quer" de Mia Cotim?
Gargalhada surda e um leve sermão ao cliente:
- Será que não é Mia Couto? Moçambicano? Ele é tão conhecido... Mas o nome dele é Couto!


Conversa #2

- Preciso de 2 livros: "Aquilo que os Olhos Vêem" ou "o Adamastor"....
Pausa para pensar.
- Ok, mas isso é só um livro. Esse é mesmo o título "Aquilo que os Olhos Vêem ou o Adamastor" de Manuel António Pina, correcto? É esse livro que pretende?

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ouvido numa livraria

Quando tudo corre bem, alguma coisa tem que descambar e nas livrarias, um local aparentemente sossegado, isto também acontece. Eis a conversa de hoje:

- Vendem Tabaco?
- Aqui? Aqui só vendemos livros.
- Hummm, disseram-me que aqui vendiam Tabaco.
- Deviam estar a brincar consigo. Aqui é a XPTO. Do outro lado há uma tabacaria.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ouvido numa livraria


Conversa #1

- Tem o livro "Pode mudar a sua vida" de Dan Brown?
- O Dan Brown não tem nenhum livro com esse título. Não estará a fazer confusão?
- Não... Disseram-me que era mesmo dele.
- Bem, posso estar a fazer confusão mas o Dan Brown escreve ficção e "Pode mudar a sua vida" é um livro de desenvolvimento pessoal. Tem como confirmar o que é que realmente procura?
-Bem, tenho quase a certeza que estou correcto...

[O cliente foi à sua vida com a certeza de que a livreira estava a fazer um péssimo trabalho ao mandá-lo confirmar mas ele nem sabia ao certo o que pretendia]

Conversa #2

Eis um exemplo perfeito de como é possível criar mal-entendidos:
- Tem o livro de poesia da Sophia de Mello Breyner?
- Sim, qual é o título que procura?
- Poesia.
- Ela tem vários. Sabe o nome?
- Ah, o título é mesmo "Poesia"

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ouvido numa livraria


Conversa #1
- Tem um livro sobre cães do Manuel Alegre?
- Bom, não é sobre cães. É "Cão como nós"

Conversa #2
- Tem o livro "Pai Rico, Pai Pobre"?
- Não, esse livro está esgotado há anos (bla bla bla, segue-se uma série de explicações sobre a disponibilidade do livro...)
- Então, quer dizer que não sou o único a pedir este livro?
- Infelizmente não.

Muhahaha! Este senhor queria ser único em sei lá quantos milhões de pessoas vivas neste planeta. Lamento informar mas em 5 anos apareceram-me inúmeras pessoas a perguntar por este título.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Ouvido numa livraria


- Tem o livro Axon Manual de Medicina?
- Axon, nunca ouvi falar, deixe-me pesquisar... Não aparece nada na nossa base de dados. Pode soletrar? Talvez tenha escrito mal...
- H.A.R.R.I.S.O.N.

[Ahahahaha]

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Manual de etiqueta para clientes


Como livreira que sou decidi compilar algumas regras de boa-educação quando se entra num livraria, vulgo, espaço comercial.
- Cumprimentar as pessoas quando se entra num espaço fechado. São regras de boa-educação básicas;
- Nunca entrar a comer nem sacar de comida quando se está dentro de uma loja. Não estamos com isto a dizer que vão entornar bebida ou comida mas as mãos engorduradas são um bocadinho nojentas;
- Não olhar de lado nem fingir que não se ouviu;
- Agradecer também é simpático. Os funcionários não são vossos criados pessoais;
 - Não deixar crianças pequenas manusearem descuidadamente e sem vigilância livros que não lhes/vos pertencem;
- Não ter a mania que sabem tudo sobre determinado autor ou obra. O livreiro também tem capacidades intelectuais;
- Não ter a convicção que o livreiro tem obrigação de saber preços, enredos e autores de cor e salteado;
- Não pedinchar marcadores nem descontos nem 500 sacos de plástico ou papéis de embrulho;
- Não interromper quando o livreiro está a atender outro cliente. Aguardem, pacientemente, a vossa vez.

sábado, 26 de abril de 2014

Ouvido numa livraria


Conversa #1
Cliente (provavelmente alcoolizado)- Tem o "Alquinista" de Paulo Coelho?
Livreira - O "Alquimista"? Sim temos.
Cliente - Como é que é? "Alquinista"?
Livreira - Não, "Alquimista", de Alquimia
Cliente - E tem o "Alquinista"?

Conversa #2
Livreira - Esse livro pertence a uma trilogia
Cliente - O que é uma trilogia?
[...]

Conversa #3
- Vi noutra livraria que vocês tinham um livro cujo nome já não me recordo mas que andava à volta dos €10, é de Direito.
[Para esta a livreira nem tinha resposta a não ser rir. Claro que não descobrimos qual o livro a não ser que alguma de nós tivesse poderes mentais]

terça-feira, 22 de abril de 2014

Ouvido numa livraria



- Tem o livro do Schroder?
[Oi? Que a livreira sabe não há nenhum livro de Schroder -  politico alemão -  e perguntou ao cliente para lhe explicar do que se tratava]
- Aquele homem que está na Rússia, o caso da informática, o Schroder, não conhece?
- Ah, o Snowden, temos o livro sim... Aqui está!

[Oh senhores, aprendam a falar como deve ser, por favor]

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Crónicas livreiras #1


Todos os dias quando chego à livraria e me vejo envolta de pilhas de livros recentes para arrumar deixo-me envolver pelas capas e pelas suas fragrâncias. Tiro um ao acaso, um daqueles que me encheu o olho, e folheio-o. Sei de antemão que não o posso levar pois o dinheiro não chega para tudo e leio uma ou outra frase a ver se me realmente convence. Nem sempre o conseguem. Sou esquisita. Tirando um ou outro autor que me enchem o coração, julgo que existem demasiados romances de cordel para o meu gosto, muito lixo enchem páginas e páginas... E é pena, a minha mente não aceita qualquer coisa. Já tempo houve em que eu pegava em qualquer coisa e lia mas agora sou muito mais selectiva. O tempo é demasiado precioso para me esforçar a ler o que quer que seja. É necessário seleccionar livros mas por vezes lá encontro uma ou outra história que apesar de não ter grande esperança, me satisfaz. E fico contente. Contente por me ter deixado levar e contente por não ter desperdiçado alguns trocos. 
Pena que as bibliotecas nem sempre tenham aquilo que procuramos. Seria uma forma de pouparmos dinheiro e estarmos em cima das novidades literárias. Resta-me passar as mãos pelos livros lá na minha livraria...

sexta-feira, 28 de março de 2014

Histórias livreiras....


Era uma vez uma bela sexta-feira matinal, uma livreira e uma enorme livraria repleta de livros e estantes. Entra uma cliente e pergunta toda expedita: "Tem livros de Bernard Stilwell?". A livreira como não reconhece o nome do autor, pesquisa na base de dados e sem qualquer resultado pede para lhe soletrar o nome do suposto autor. Nada. "Sabe algum título dele para que eu o encontre aqui na base de dados mais facilmente?". "Ah. pois... isso já não sei. Só sei o nome do autor". A livreira mostra-se aborrecida por não conseguir ajudar a cliente e pede para que lhe explique que género de livro se trata. "Ah, é um rato...". "Será Geronimo Stilton?". Claro que é, esta livreira que está ao atendimento de livrarias há já 5 anos tem uma estrelinha que a ajuda e vai lá de memória muitas vezes. Acertou e a cliente ficou extasiada. É assim que se passam os dias dentro de uma livraria. Clientes que têm a certeza dos títulos ou dos autores e que depois não se trata de nada daquilo e clientes que entram, pedem e saem sem grandes dificuldades. E é destes que eu gosto. Que sabem já o que querem e ainda ficam à conversa, mas uma conversa interessante que nos deixa bem-dispostos. É disso que eu gosto.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Ouvido numa livraria...


- Procuro o livro "Infância Perdida" e só sei que o autor é português.
- O título não deve ser esse porque existe um livro com esse mesmo título mas a autora é a britânica Cathy Glass. Não sabe mesmo o nome do autor? Ou de que é que trata a história, pode ser que eu consiga ajudar apenas com estes dados...
- Ah, é a história real de uma rapariga... Foi uma amiga minha que me falou nele...
- Não será "O Fim da Inocência" de Francisco Salgueiro?
- Acho que é isso, sim. Pode mostrar-me?

Por vezes a nossa memória não fixa as palavras correctas, armazena  por aproximação. A mente desta cliente aproximou o conceito de "inocência" com "infância" e "fim" com "perdida". A nossa mente prega-nos estas rasteiras e por exclusão de partes conseguimos chegar ao pretendido.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria...


Diálogo #1
- Tem o livro Sidrarta?
- Siddhartha? Temos...

[A cliente insistia em chamar Sidrarta ao livro, não aprendeu e não foi comigo que se corrigiu. Lamento. Vai morrer a pensar que o livro se chama Sidrarta...]

Diálogo #2
-Comprei este livro de John Grishman, mas a pessoa a quem ofereci já o tem. posso trocá-lo?
-Grisham?

[Outro grande lapso de uma cliente. O pior é que as pessoas insistem em errar e provavelmente pensam que o livreiro é que está errado]

Diálogo #3
-Tem algum e-mail para onde possamos enviar as nossas novidades e campanhas mensais?
-Sim mas tenho vergonha...
- Vergonha de quê?
-O meu email é ridículo...
-Mas eu estou aqui para trabalhar e não para me rir.

[Foi mesmo isto que respondi à cliente caindo no erro de fazer pouco dela mas a verdade é que já estava sem paciência para essas vergonhas, queria despachá-la porque tinha um cliente à espera para ser atendido e se alguém tem vergonha do endereço que criou, crie outra conta com um nome mais decente. Malukinha! Hihihihihi]

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria...


Há pessoas que entram nas livrarias para comprarem livros e há pessoas que só lá entram para chatear. Atentem nesta conversa vinda de um cliente:
- Paulo Coelho? Mas alguém compra Paulo Coelho? Nem deviam estar livros dele à venda... Não presta para nada...
- Sabe que o Fernando Pessoa escrevia sob pseudónimo não sabe?

[Caros clientes, declaro aqui perante o mundo que não posso nem quero nem devo responder a questões pessoais, se eu acho que Paulo Coelho deve ter livros à venda ou não, não vos diz respeito e se eu, que trabalho em livrarias há já 5 anos não soubesse que Pessoa escreveu sob outros nomes estava feita ao bife, estava...]

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria



Conversa #1
- Qual é o seu contacto?
- Ah, espere, tenho que ver no meu Ipad... não sei de cor, sabe?
- E a morada?
- Oh, deixe-me ver aqui no telemóvel...

(Conclusão: tinha tecnologias de topo de gama e mostrava-os como se fossem fazer inveja à livreira, que é a pessoa mais desligada dessas mariquices e não se deixa impressionar, mas queria gastar muito pouco dinheiro nos livros


Conversa #2
- Venho trocar este livro, ofereceram-mo e eu já o tenho.
(cliente estica à livreira o livro, o saco, o embrulho e o recibo)
- Mas este talão é da loja W, o livro não foi comprado nas nossas livrarias...
- Mas olhe que vem embrulhado com o vosso papel e vinha num saco vosso.
- Pois, mas não posso fazer nada...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria...

- Tem o livro "Livro Laranja"
Livreira pesquisa tal título e não obtendo qualquer busca pede mais informações mas cliente garantia que o título por ela sugerido era o correcto.
Título apurado e confirmado: "As Minhas Primeiras Palavras Cruzadas  (volume 2, capa laranja)"

UAU! (cada vez tenho menos paciência para tamanha estupidez)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Crónicas de uma livreira #1

Nas livrarias, os cliente gostam de fazer os livreiros perder o seu precioso tempo. Meus amigos, passo a explicar: ser livreiro é ser mais que apenas vender livros, os livreiros executam diversas tarefas ao longo do seu período laboral: dão entrada de livros, fazem devoluções, transferem livros para outras lojas, arrumam, etiquetam, colocam alarmes, arrumam, organizam o armazém, voltam a arrumar, cortam-se com o papel, fazem embrulhos, vendem, empacotam, cortam-se novamente, folheiam livros, falam sobre livros e muito mais. Ora bem, à pala desta brincadeira, tenho as mãos num estado lastimável e não há creme de mãos que me salve.
No meu cacifo tenho dois artigos de uso imprescindível: toalhitas e creme de mãos. Se pensam abarcar neste tipo de trabalho previnam-se e falem com os mais experientes nesta matéria que vos dirão para terem muito cuidado com os tostões das vossas carteiras. Não é fácil para um verdadeiro livreiro, não comprar qualquer artigo durante muito tempo, especialmente se adora ler. É muito perigoso para a vossa conta bancária. Acreditem!
Ora comecei eu a dizer que os clientes gostam de nos fazer perder tempo. É verdade. Atendemos o telefone, perguntam por um livro, vamos busca-lo fisicamente lá ao fundo da livraria e quando menos esperamos ouvimos do outro lado da linha algo parecido com isto: "ah, era só para saber porque na outra vossa loja XPTO não me atenderam o telefone mas pode-me confirmar o stock deles?" Não nos façam isto, uma pessoa dedica-se  e depois não lucra nada? Meus amigos, telefonem para a livraria correcta, nós não somos pombos-correio uns dos outros, ainda por cima com as minhas mãos neste estado que ardem como tudo.
Voltarei com mais instruções...