segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Casa dos Vandekar, Evelyn Anthony

Há muito que não lia um romance tão empolgante. Empolgante no sentido de não me fazer parar de ler a não ser no final e ter pena de ter descoberto tudo só nessa altura.
Nunca tinha lido nada da britânica Evelyn Anthony mas fiquei com a sensação que só escreve dentro deste estilo.
A Casa dos Vandekar relata a história da família Vandekar ao longo de três gerações, passa pelo pré-guerra, pós-guerra até aos dias de hoje. Alice Vandekar, a protagonista, é a mãe da família, uma mulher forte e determinada mas toda a história é contada por Nancy, a sua neta querida.  Os problemas com o marido, as guerras, a compra da casa, os filhos, os amantes, os criados, as dificuldades passadas durante a Segunda Guerra Mundial, as guerrilhas com a filha, os netos, a riqueza e a luxúria...
Um livro que mistura amor, ódio e sexo, destinado claramente a mulheres. Gostei porque me transportou para uma outra realidade, senti um certo carinho pela protagonista que, num universo dominado por homens, consegue lutar por aquilo que pretende. A força desta mulher é o que faz o livro seguir em frente e prender-nos ao enredo.

"De que serve esmorecer?  A vida continua, tem de continuar."
 
A imagem possível: A Casa dos Vandekar, Círculo de Leitores
 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"Sputnik, Meu Amor", Haruki Murakami - II



Uma vez que este livro já foi descrito neste blog:

http://letrasemletra.blogspot.pt/2013/03/sputnik-meu-amor-haruki-murakami.html

Vou aqui apenas referir algumas das minhas citações preferidas:

"Não será que ate as coisas inúteis têm cabimento neste mundo longe-de-ser-perfeito? Se desta vida imperfeita eliminássemos tudo o que é inútil, a imperfeição deixava ela própria de fazer sentido"

"Vi pessoas que se diziam «vulneráveis» magoarem outros sem motivo aparente (...) com um perfil «franco e honesto» usarem desculpas esfarrapadas para obterem o que desejam a qualquer preço"

"Habituei-me desde muito novo a traçar uma fronteira invisível entre mim e os outros."

"Ela está tão apaixonada por mim que não quer saber de mais nada. É por isso que está apaixonada por mim."

"Sabe o quer dizer Sputnik em russo? Companheiro de viagem (...) aquilo não passava de uma porcaria de um pedaço de metal que andava para ali a girar à volta da Terra"

"Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. À distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada." (versão brasileira)

"Alguma vez viram alguém levar um tiro e não ficar cheio de sangue? O sangue tem de ser derramado. vou afiar a minha faca, preparar-me para degolar um cão algures"

"Às vezes tenho a sensação de que o meu corpo está prestes a tornar-se invisível, de que me tornei completamente transparente."

Alice Munro: Nobel Literatura 2013

A autora Alice Munro foi laureada com o Prémio Nobel da Literatura 2013. A canadiana escreve sobretudo contos e em português contam-se pelos dedos de uma mão as obras publicadas.
Agora, é ver os pseudo-leitores a procurarem as suas obras... É sempre assim: a correria às livrarias a ver quem apanha primeiro.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nobel Literatura 2013

Amanhã o Letras em Letra terá todo o gosto em apresentar o prémio Nobel da Literatura 2013.
Fiquem atentos!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Novidade editorial

 
É oficial! A Editora Casa das Letras vai lançar a 22 de Outubro "Sono" de Haruki Murakami. Até esta hora pouco ou nada se sabe, apenas a sinopse:

"Há dezassete dias que não durmo.» Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas."

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Claraboia de José Saramago

Imagine 6 inquilinos a viver num prédio: um sapateiro que ama perdidamente a sua esposa, uma espanhola, o marido e o filho que andam sempre às avessas, a senhora prostituta, um casal com a filha adolescente, e quatro mulheres e um casal cuja filha morreu  ainda criança,. Agora imagine o enredo que isto dá, as cusquices, os desentendimentos, os desencontros, as vivências e as conversas ouvidas no patamar do prédio... O que é que isto dá? Claraboia de José Saramago. O autor afirmou tratar-se do seu livro mais ingénuo, talvez por ter sido o primeiro que escreveu e ainda estaria a definir a sua própria forma de escrita.
Trata-se de uma história muito divertida em que todos os personagens se conhecem e tece-se desta forma todo o enredo, os acontecimentos entrelaçam-se entre conversas de vão de escada, olhares entre janelas, ouvidos à escuta e muitos mexericos, talvez demasiados. Mas é assim a vida quotidiana de muitos prédios, um retrato muito fiel e actual da vida.
Saramago utiliza aqui uma sintaxe totalmente diferente com que nos brindou nos títulos posteriores mas ainda assim trata-se de um obra de referência de um autor que trouxe para as luzes da ribalta a literatura portuguesa.

Claraboia, Caminho

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Balada do Café Triste de Carson McCullers

Um romance sobre o amor onde três personagens entram em conflito: Amélia Evans, dona de um café situado numa pequena povoação norte americana, o seu primo Lymon, um corcunda metediço e briguento e Marvin Macy, o vilão da história e da vila com quem Amélia esteve casada durante 10 dias.
Uma história pautada pela solidão já que quando o primo Lymon chega e se apresenta à fria Amélia há logo ali um amor incondicional, um amor cego já que começam a estar juntos o dia inteiro e Amélia partilha tudo com o seu primo. Marvin surge então depois de uma estadia na prisão e vem estragar este ambiente ameno. Lymon começa a desprezar Amélia e torna-se inseparável de Marvin.
Ao ler esta Balada fiquei com a sensação que a vida destas personagens era vazia, sem grandes sentimentos, a viver de forma bastante rude e que encontram entre eles sentimentos de amor/ódio muito marcados. É este enredo que dá cor à vida na povoação pois os habitantes observam e comentam as atitudes do trio enquanto vivem as suas vidas tranquilas. O café é o local de animação e de conversas fora de horas.
...Um pequeno livro que se lê num ápice.


A Balada do Café Triste, Presença