quarta-feira, 27 de agosto de 2014

À Espera no Centeio - J.D.Salinger


“Se estão mesmo interessados nisto, então a primeira coisa que devem saber é onde é que nasci, e como foi a porcaria da minha infância, o que faziam os meus pais e tudo antes de eu ter nascido, e toda essa treta estilo David Copperfield, mas não estou nada para aí virado”.


É desta forma que se inicia a obra de que hoje vou falar. Há muito tempo que queria ler o "À Espera no Centeio" de J. D. Salinger. Li-o finalmente. E que porra. Adorei cada palavra, cada expressão, cada linha, cada frase. Cada parágrafo.
"À Espera no Centeio" é a obra escrita na primeira pessoa por Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos norte-americano que foi expulso do colégio onde estudava e que decide deixar a escola uns dias antes de regressar definitivamente a casa e passeia-se por Nova Iorque. Caulfield vai relatando as suas graças e desgraças nos 2 dias que antecedem o seu regress ao lar , onde o espera aos pais e a irmã mais nova, que adora.
A obra, sempre escrita com recurso a plena oralidade, é simplesmente brilhante. Os palavrões, o calão são pormenores da escrita fascinante de Salinger. Um autor que deveria ser verdadeiramente reconhecido pois escreveu tão poucas obras e todos deviamos ser obrigados a lê-lo.
É um livro que se lê sem parar pois simpatizamos quase instantaneamente com o personagem, trocemos por ele, ou queremoas dar-lhe um puxão de orelhas. Caulfield é sensível, talvez demasiado sensível e real para ser um personagem de uma obra tão empolgante.

Ouvido numa livraria


Conversa #1

- Tem o livro "Mar me Quer" de Mia Cotim?
Gargalhada surda e um leve sermão ao cliente:
- Será que não é Mia Couto? Moçambicano? Ele é tão conhecido... Mas o nome dele é Couto!


Conversa #2

- Preciso de 2 livros: "Aquilo que os Olhos Vêem" ou "o Adamastor"....
Pausa para pensar.
- Ok, mas isso é só um livro. Esse é mesmo o título "Aquilo que os Olhos Vêem ou o Adamastor" de Manuel António Pina, correcto? É esse livro que pretende?

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ouvido numa livraria

Quando tudo corre bem, alguma coisa tem que descambar e nas livrarias, um local aparentemente sossegado, isto também acontece. Eis a conversa de hoje:

- Vendem Tabaco?
- Aqui? Aqui só vendemos livros.
- Hummm, disseram-me que aqui vendiam Tabaco.
- Deviam estar a brincar consigo. Aqui é a XPTO. Do outro lado há uma tabacaria.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ouvido numa livraria


Conversa #1

- Tem o livro "Pode mudar a sua vida" de Dan Brown?
- O Dan Brown não tem nenhum livro com esse título. Não estará a fazer confusão?
- Não... Disseram-me que era mesmo dele.
- Bem, posso estar a fazer confusão mas o Dan Brown escreve ficção e "Pode mudar a sua vida" é um livro de desenvolvimento pessoal. Tem como confirmar o que é que realmente procura?
-Bem, tenho quase a certeza que estou correcto...

[O cliente foi à sua vida com a certeza de que a livreira estava a fazer um péssimo trabalho ao mandá-lo confirmar mas ele nem sabia ao certo o que pretendia]

Conversa #2

Eis um exemplo perfeito de como é possível criar mal-entendidos:
- Tem o livro de poesia da Sophia de Mello Breyner?
- Sim, qual é o título que procura?
- Poesia.
- Ela tem vários. Sabe o nome?
- Ah, o título é mesmo "Poesia"

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O Professor - Charlotte Brontë




Há uns anos li "Jane Eyre" de Charlotte Brontë e foi com entusiasmo que comecei a ler "O Professor" da mesma autora. Mas depois das primeiras páginas comecei a ficar entediada: o ritmo tornou-se quebrado e, por isso mesmo, muito lento. A obra narra o dia-a-dia de William Crimsworth que começa a trabalhar com o irmão mas por causa de desentendimentos, demite-se e vai para a Bélgica trabalhar como professor num colégio interno de rapazes mas depois torna-se professor também numa escola de raparigas e é lá que se apaixona por uma aluna. A vida de Crimsworth não é fácil, ultrapassa certos obstáculos e vai sobrevivendo com as dificuldades. Demite-se do seu lugar de professor e vai atrás da rapariga na qual encontra o amor verdadeiro e tranquilo.
É um romance do século XIX mas não se trata de uma história empolgante. Brontë discorre apenas sobre o quotidiano deste professor o que se torna bastante enfadonho quando queremos ritmo e alguma acção. Admito que "engonhei" um bocadinho a leitura deste livro. Tive que fazer uma pausa e meti outro livro pelo meio mas as últimas 100págimas leem-se num ápice quando o queremos terminar rapidamente. A acção toda da história está no início e no final. É aí que vale a pena ler este romance. Tudo o resto é um bocadinho sensaborão.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ouvido numa livraria


Conversa #1
- Tem um livro sobre cães do Manuel Alegre?
- Bom, não é sobre cães. É "Cão como nós"

Conversa #2
- Tem o livro "Pai Rico, Pai Pobre"?
- Não, esse livro está esgotado há anos (bla bla bla, segue-se uma série de explicações sobre a disponibilidade do livro...)
- Então, quer dizer que não sou o único a pedir este livro?
- Infelizmente não.

Muhahaha! Este senhor queria ser único em sei lá quantos milhões de pessoas vivas neste planeta. Lamento informar mas em 5 anos apareceram-me inúmeras pessoas a perguntar por este título.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A Culpa é das Estrelas - Alerta Spoiler

"A Culpa é das Estrelas", Asa
 
Li o livro em três dias porque estava com ânsia de o ler rapidamente e perceber por que é que se fala tanto dele. John Green, o autor, conta a história de dois adolescentes que se apaixonam em circunstâncias um nadinha complicadas. Hazel Grace tem cancro e a Augustus falta-lhe uma perna porque também já sofreu de um problema grave. Trata-se nitidamente de um livro cujo público-alvo são os adolescentes. Eles reveem-se no romance, querem viver uma bonita história de amor cheia de frases com significado como esta e fazem-nos sonhar. A questão é que se trata de um tema sensível e isso faz-nos largar algumas lágrimas especialmente na parte final do romance quando as coisas se complicam para Augustus.
Um livro que me fez reviver Amesterdão, já que as personagens passam lá uns dias de visita a um autor que admiram e que se revela diferente do que esperavam. Há uma cena que se passa na Casa de Anne Frank e isso levou-me para as férias que passei lá há uns anos. A obra tem diversas cenas cheias de humor que arrancam algumas gargalhadas espontâneas mas o drama é tão grande que nas últimas 50 páginas choramos literalmente baba e ranho.
É uma história bonita mas tudo o que mete adolescentes enjoa um bocadinho e por isso mesmo dispenso mais livros do autor... Deixo algumas frases que marcam a história.
 
 
"- Sentes-te melhor?
- Não.
- É o problema da dor. Exige ser sentida"