segunda-feira, 17 de março de 2014

Tradutor de Chuvas de Mia Couto

Tradutor de Chuvas, Caminho
 
Li algures que se trata de uma obra auto-biográfica. 66 poemas compõe este "Tradutor de Chuvas" mas poesia nunca foi fácil para mim. Tenho que parar e tentar perceber o significado, o que está ali atrás escondido. Não o li de uma assentada porque já fazia o esforço de o tentar perceber. Não sei se consegui. Gostei especialmente do primeiro poema: Cores de Parto onde ele descreve as primeiras sensações do ser humano. Couto vai contando a sua história. Há poemas descomplicados, típicos de Mia Couto e outros há em que temos que os reler. Há poemas para todos os gostos. E eu gosto de poemas simples, de poesia para as massas, fáceis de entender. E a poesia nunca é fácil.

 
"O homem faz amor para se sentir bem
A mulher faz amor quando se sente bem
Uns amam
Outros de si mesmos escapam[...]"
 
In "Falas de Uns"

terça-feira, 11 de março de 2014

Carta à Minha Filha - Maya Angelou

Carta à Minha Filha, Estrela Polar

Há uns anos via o programa de Oprah Winfrey na TV enquanto ela conduzia uma entrevista a Maya Angelou, escritora, poetisa, actriz e professora norte-Americana. Fiquei deliciada a ouvi-la, transparecia  doçura e tranquilidade. Foi isso que gostei nela.  
Recentemente vi um livro dela em promoção e não resisti. Já tinha alguma curiosidade e agora pude finalmente ler as suas palavras. "Carta à minha filha" é uma obra espiritual a quem Maya dedica a todas as mulheres que amam, lutam e sofrem.
Tenho o livro rabiscado nos primeiros capítulos pois foram aqueles que me transmitiram algo. Sublinhei algumas passagens e ia anotando num caderninho os conceitos que se entranharam em mim. Maya dá conta das aprendizagens que foi tendo na sua vida e que a tornaram numa pessoa melhor. Trata-se de uma auto-biografia da autora, revela alguns acontecimentos da sua vida: a vez em que ficou refém de um amigo, o filho que teve com o seu namorado, o racism que viveu, os amigos que foi fazendo ao longo da vida... Tudo isto pode parecer demasiado vago e superficial mas por vezes faz-nos bem ler sobre a vida de outra pessoa assim tão doce como Maya. Torna-se inspirador. Sabemos perfeitamente que temos que ser boas pessoas, com bom carácter e bla bla bla mas ler um testemunho sensível entranhar-se-à dentro de nós. Este é um bom livro para quando nos sentimos mais sensíveis, para um fim de tarde solarengo quando as folhas caem das árvores no outono, quando se bebe uma chávena de chá... "Carta à Minha Filha" lê-se de um fôlego, é dividido em pequenos capítulos e é leve como uma brisa suave.

"Podes não controlar todos os acontecimentos da tua vida, mas podes decidir não deixar que eles te debilitem. Tenta ser o arco-iris de outra pessoa".

"A minha alma irá sempre olhar para trás e admirar-se com as montanhas que subi, os rios que atravessei e os desafios que ainda tenho pela frente..."

segunda-feira, 10 de março de 2014

Ouvido numa livraria...


- Procuro o livro "Infância Perdida" e só sei que o autor é português.
- O título não deve ser esse porque existe um livro com esse mesmo título mas a autora é a britânica Cathy Glass. Não sabe mesmo o nome do autor? Ou de que é que trata a história, pode ser que eu consiga ajudar apenas com estes dados...
- Ah, é a história real de uma rapariga... Foi uma amiga minha que me falou nele...
- Não será "O Fim da Inocência" de Francisco Salgueiro?
- Acho que é isso, sim. Pode mostrar-me?

Por vezes a nossa memória não fixa as palavras correctas, armazena  por aproximação. A mente desta cliente aproximou o conceito de "inocência" com "infância" e "fim" com "perdida". A nossa mente prega-nos estas rasteiras e por exclusão de partes conseguimos chegar ao pretendido.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dog Mendonça e Pizzaboy I, II, III

Vieram parar-me às mãos estes três livros da trilogia Dog Mendonça e Pizzaboy, livros de BD desenvolvidos por Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa.
Aqui temos um rapaz a quem roubam a sua moto e para a recuperar contrata um detective. Detective esse que é um ex-lobisomem e que tem um ajudante em forma de menina. Descobrem que uma gárgula roubou a moto e a partir daí veêm-se envoltos numa aventura do submundo onde até Hitler assume um importante papel. Toda a história é passada nos esgotos de Lisboa e o mundo fantástico é o cenário desta história.
Na 2ª história, a Bíblia assume um importante papel, cinco anos depois do primeiro encontro, os três amigos veem-se a mãos com o apocalipse. Pragas de insectos, criaturas gigantes e duzentos mil demónios invadem a Terra e os heróis têm que salvar os humanos. Vão a Fátima, falam com a Nossa Senhora e acabam por ver Lisboa destruída.
No 3º e último livro desta trilogia, "Requiem", nota-se o passar dos anos. Os heróis estão bem mais velhos mas nem por isso mais sensatos. Aqui ficamos a conhecer o passado de Dog Mendonça e Lisboa é atacada por aranhas gigantes.
O humor está presente nos três livros, as ilustrações são fantásticas e por vezes esquecemo-nos que estamos perante um livro. Facilmente imaginamos todo este enredo na nossa televisão em forma de filme.
Dog Mendonça e Pizzaboy remetem para um mundo fantástico repleto de monstros e seres estranhos mas divertem-nos e distraem-nos e não queremos que acabem as suas aventuras.





segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria...


Diálogo #1
- Tem o livro Sidrarta?
- Siddhartha? Temos...

[A cliente insistia em chamar Sidrarta ao livro, não aprendeu e não foi comigo que se corrigiu. Lamento. Vai morrer a pensar que o livro se chama Sidrarta...]

Diálogo #2
-Comprei este livro de John Grishman, mas a pessoa a quem ofereci já o tem. posso trocá-lo?
-Grisham?

[Outro grande lapso de uma cliente. O pior é que as pessoas insistem em errar e provavelmente pensam que o livreiro é que está errado]

Diálogo #3
-Tem algum e-mail para onde possamos enviar as nossas novidades e campanhas mensais?
-Sim mas tenho vergonha...
- Vergonha de quê?
-O meu email é ridículo...
-Mas eu estou aqui para trabalhar e não para me rir.

[Foi mesmo isto que respondi à cliente caindo no erro de fazer pouco dela mas a verdade é que já estava sem paciência para essas vergonhas, queria despachá-la porque tinha um cliente à espera para ser atendido e se alguém tem vergonha do endereço que criou, crie outra conta com um nome mais decente. Malukinha! Hihihihihi]

domingo, 23 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria...


Há pessoas que entram nas livrarias para comprarem livros e há pessoas que só lá entram para chatear. Atentem nesta conversa vinda de um cliente:
- Paulo Coelho? Mas alguém compra Paulo Coelho? Nem deviam estar livros dele à venda... Não presta para nada...
- Sabe que o Fernando Pessoa escrevia sob pseudónimo não sabe?

[Caros clientes, declaro aqui perante o mundo que não posso nem quero nem devo responder a questões pessoais, se eu acho que Paulo Coelho deve ter livros à venda ou não, não vos diz respeito e se eu, que trabalho em livrarias há já 5 anos não soubesse que Pessoa escreveu sob outros nomes estava feita ao bife, estava...]

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

E.T. - O Extraterrestre

E.T. - O Extraterrestre, Europa-América

E.T. - O Extraterrestre é um filme que me acompanha desde a minha infância. Lembro-me de vê-lo pela altura do Natal desde sempre e quando vi o livro à venda não resisti e tive que o trazer para casa. Mas arrastei a sua leitura por mais de dois anos. Li-o aos bocadinhos e finalmente terminei-o. Estou orgulhosa pois a narrativa não é nada sedutora. A acção é lenta porque descreve todas as cenas com bastante pormenor e isso torna a sua leitura cansativa. Claro que revivi cenas do filme de que me lembro bastante bem mas por já conhecer tão bem a história, já só queria terminar o livro rapidamente.
O livro conta a história que já conhecemos: E.T. é deixado por engano na Terra e faz amizade com Elliot que o acolhe na sua casa à revelia da sua mãe. No final, tudo é feito para E.T. regressar a casa. Quem já viu o filme dispensa bem a leitura do livro pois nada de novo nos trás mas pelo menos serviu para me entreter nas horas vagas.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo - Murakami


Há livros que nos fascinam e outros que nem por isso. Sabia que "Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo" falava das corridas em que Murakami participou mas admito que acreditava que falasse mais que isso, dos romances que escreveu, do tempo que dedica à escrita, à sua vida mais pessoal. Mas o autor foca-se nas corridas, nos treinos, nos quilómetros que percorreu ao longo dos 10 anos que demorou a escrever este livro de memórias, das dificuldades das competições. Murakami também fala do tempo dedicado à sua profissão e em como depois da faculdade abriu um bar de jazz que teve durante 3 anos e que depois abdicou para se dedicar totalmente à escrita de romances. Tudo começou com um concurso e prosseguiu a partir daí. 
Murakami participou em diversas maratonas, triatlos e ultramaratonas. O último desafio que pretende cumprir é participar no Ironman mas a idade não perdoa. Mas ele tem vontade. Muita vontade. 
Trata-de de um livro que faz um elogio à corrida, ao desafio e à força mental que é necessária para percorrer tantos quilómetros. O episódio que me marcou neste livro de memórias foi o facto do escritor japonês ter percorrido os 42 km da maratona original em que um grego correu da cidade de Maratona até Atenas para dar notícias da frente de guerra. Murakami fez o percurso inverso a pedido de uma revista e anos mais tarde participou numa corrida que faz precisamente todo o percurso original. É o capítulo mais marcante, mostra toda a dificuldade que passou naquele dia com um calor abrasador
Murakami deixa transparecer o amor que tem por este desporto tão solitário mas que ele diz ter tudo a ver com ele: o silêncio, o vazio... Ele descreve bem estes sentimentos enquanto as suas pernas aceleram. Diz ele que a corrida o moldou enquanto homem. Teve aulas que o prepararam melhor para as competições e não desiste. A corrida é tão importante para ele como escrever. e tem tempo para tudo. Que belo exemplo de força de vontade!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Livros ganham vida

O fotógrafo Terry Border deu vida a livros bem nossos conhecidos. Transformou o próprio objecto no seu personagem principal num trabalho ao qual deu o nome de "Wiry Limbs, Paper Backs". Aqui podemos ver o Hobbit com o seu anel, o 1984 de Orwell com uma máquina de filmar...
 






quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria



Conversa #1
- Qual é o seu contacto?
- Ah, espere, tenho que ver no meu Ipad... não sei de cor, sabe?
- E a morada?
- Oh, deixe-me ver aqui no telemóvel...

(Conclusão: tinha tecnologias de topo de gama e mostrava-os como se fossem fazer inveja à livreira, que é a pessoa mais desligada dessas mariquices e não se deixa impressionar, mas queria gastar muito pouco dinheiro nos livros


Conversa #2
- Venho trocar este livro, ofereceram-mo e eu já o tenho.
(cliente estica à livreira o livro, o saco, o embrulho e o recibo)
- Mas este talão é da loja W, o livro não foi comprado nas nossas livrarias...
- Mas olhe que vem embrulhado com o vosso papel e vinha num saco vosso.
- Pois, mas não posso fazer nada...

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Desafio literário

 
 
Lançaram-me o seguinte desafio através do facebook mas aqui no Letras em Letra é que me faz sentido falar sobre isto. Inteirem-se da proposta:
 
"É preciso fazer uma lista com os 10 livros (ficção ou não-ficção) que te tenham marcado. A ideia não é gastar muito tempo, nem pensar muito. Não precisam ser grandes obras, apenas que tenham sido importantes para ti. Depois escolher 10 amigos para participar da brincadeira. E eles devem incluir-nos quando fizerem as suas listas para que possamos ver as listas deles."
Escolher apenas 10 é muito di
fícil mas aqui fica a minha modesta contribuição, sem ordem de preferência"
 
Ora bem, pensei muito, fui às minhas prateleiras e decidi-me por estes 10 títulos. Não tenho uma ordem específica de preferência tal como é dito no desafio mas foram livros que me marcaram e/ou continuam a marcar ao longo desta minha existência. Correndo o risco de ser tremendamente injusta para com todos os outros livros que li, corro o risco e apresento os meus preferidos de sempre. São eles:
- O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry
- O Amor nos Tempos de Cólera, Gabriel García Márquez
- A Cabana do Pai Tomás, Harriet Beecher Stowe
- Cão como Nós, Manuel Alegre
- No teu Deserto, Miguel Sousa Tavares
- Qualquer livro de Murakami, é-me completamente impossível seleccionar apenas um
- Não matem a Cotovia, Harper Lee
- O Homem Duplicado, José Saramago
- O Diário de Anne Frank
- Harry Potter
 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Imaginação fora dos livros

Jodi Harvey-Brown uniu o melhor de dois mundos: o  mundo ficcional ao mundo da arte. Extrapolou as histórias de fantasia para o mundo real e o resultado está à vista! Este é o conceito-base das esculturas em papel desta amante de literatura e arte, cujo trabalho é executado inteiramente à mão e para finalizar protege-as com uma película de verniz. Jodi dá vida a "Alice no país das Maravilhas", "Tom Sawyer" e muitos outros.
O seu trabalho pode ser visto aqui.
 



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ouvido numa livraria...

- Tem o livro "Livro Laranja"
Livreira pesquisa tal título e não obtendo qualquer busca pede mais informações mas cliente garantia que o título por ela sugerido era o correcto.
Título apurado e confirmado: "As Minhas Primeiras Palavras Cruzadas  (volume 2, capa laranja)"

UAU! (cada vez tenho menos paciência para tamanha estupidez)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol - Haruki Murakami


Este livro deixou-me um profundo sabor amargo. Se me envolveu na maior parte da narrativa, enquanto Hajime conta a história da sua vida desde criança até à idade adulta, já casado e com filhas, na parte final desiludiu-me porque não compreendi o objectivo, o significado que Murakami quis dar à obra. Deixa o final em aberto, como na maioria dos seus livros mas este decepcionou-me e de que maneira. Esperava bem mais. Claro que gostei de tudo: da sequência das acções do personagem, dos diálogos e das próprias descrições do autor mas aquele final .
"A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol", é delicado, profundamente melancólico e árido mas pedia mais, mais deste autor que já me habituou mal. Mal porque espero sempre mais, que se entregue por inteiro, que se entregue na medida do expectável, na medida em que me delicio a lê-lo e aqui fiquei com uma certa raiva do final. Não quero aquele final, quero um final que me permita continuar a sonhar e o que me apresentou foi uma coisa amarga, demasiado amarga. Demasiado bruta. Demasiado seca.
Fala-nos ao longo de todo o livro do destino, das opções tomadas voluntária e involuntariamente, a busca da felicidade e depois dá-me um final destes? É por isto que não se tornou no meu preferido de sempre, porque lhe falta ali qualquer coisa, falta-lhe a essência do final, da perspectiva de que as coisas vão melhorar...

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Que chegue esse momento

«Felizmente existem os livros. Podemos esquecê-los numa prateleira ou num baú, deixá-los entregues ao pó e às traças, abandoná-los na escuridão das caves, podemos não lhes pôr os olhos em cima nem tocar-lhes durante anos e anos, mas eles não se importam, esperam tranquilamente, fechados sobre si mesmos para que nada do que têm dentro se perca, o momento que sempre chega...» 


José Saramago


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Arte em livros

Há quem leia e há quem pinte livros. A russa Ekaterina Panikhova serve-se de livros antigos para criar arte: desenha, faz colagens e pinta as páginas já amarelecidas de diversos livros para criar instalações gigantes. 



Leituras... por aí

Os passageiros da linh amarela do Metro de lisboa estão mais cultos. Há muito tempo que não andava neste transporte e hoje fui surpreendida! Vi, pessoas a lerem os seus livritos jornais e folhetos de propaganda de viagens ao Brasil. Mas foram os livros que me chamaram a atenção. Aqui vai a lista:
- Uma senhora dos seus 30 anos ia a ler em pé "A Revolta", livro III da trilogia dos Jogos da Fome
- Uma mulher quarentona ia a ler "O Filho de Mil Homens" de Valter Hugo Mae
- Uma mulher ia a ler Isabel Allende mas não consegui apanhar o título.